Atitudes que podem ajudar… antes e depois da folia

Sei que todo mundo já deve estar fazendo as malas, ou para viajar ou para embarcar no reino de Dionísio. Este blog, portanto, pede licença para deixar as reflexões para depois do carnaval e cair  na folia. Voltaremos, portanto, dia 15, naquela sexta-feira com cara e jeito de início de ano. Antes disso, vale lembrar algumas atitudes que podem ajudar a melhorar esse mundo e deixá-lo com menos cara de quarta-feira de cinzas. Vamos lá:

No pilar ambiental – Vem da Alumar, um complexo de produção de alumínio primário e alumina, a notícia sobre uma parceria entre este complexo e o outro, a Ambev, em prol de uma produção industrial mais limpa. É que a Alumar vai reaproveitar parte (o release não especifica quanto) dos 3100 metros cúbicos de litros de efluentes tratados pela Ambev que seriam descartados diariamente pela cervejaria Equatorial no Rio Pedrinhas, no Maranhão. A água está sendo bombeada até uma lagoa de sedimentação da Alumar para ser reaproveitada nos processos da Refinaria. Dessa forma, o complexo deixa de captar água subterrânea e reaproveita o que a Ambev descartaria no rio. Em dezembro de 2012, a Alumar deixou de consumir, por dia, segundo o release, mais de 2.100m³ de litros de água, um ganho ambiental importante para a empresa.

No pilar sócio-cultural – Fiquei conhecendo no Observatório de Favelas o pessoal da ONG Norte Comum (nortecomum.com)  e achei bem interessante a proposta deles. A ideia de formar a ONG nasceu diante da evidente escassez de projetos relacionados à cultura na Zona Norte do Rio de Janeiro.  O projeto é dividido basicamente em duas frentes gerais de atuação. Uma referente à criação e manutenção da rede, e a outra focada na formação de uma produtora coletiva e horizontal. Não existem donos da rede, ela se forma por si só, segundo me explicou o Carlos Meijueiro, um dos que pôs a mão na massa para criá-la.  Gosto muito quando ouço que a proposta mestra é a construção de relações pessoais e a realização de projetos que intensifiquem tais relações. É mais ou menos assim: antigamente, quando ainda era possível, os jovens se reuniam na pracinha e discutiam tais projetos. Hoje, com o inchaço das cidades e a dificuldade de se encontrar pracinhas disponíveis, o jeito é lançar mão da web, que nesse momento mostra toda a sua força no sentido de criar redes. Uma das ações do grupo é lutar pela reabertura dos cinemas da região, o que faz todo sentido.  Levar mostras e exposições com debates de artistas, criar espaços para debates.  Ou seja: uma atitude que pode ajudar mesmo.

No pilar econômico – Li no excelente blog do professor Ladislau Dowbor (dowbor.org) que  o governo federal americano  quer criar uma super rede WiFi de livre acesso, abrangendo todo seu território. A notícia dessa proposta revolucionária está numa reportagem publicada no Washington Post pela repórter Cecilia Kang e pode ser lida na íntegra aqui http://(http://www.washingtonpost.com/business/technology/tech-telecom-giants-take-sides-as-fcc-proposes-large-public-wifi-networks/2013/02/03/eb27d3e0-698b-11e2-ada3-d86a4806d5ee_story.html).O texto diz que a medida já enfrenta resistência das operadoras de telecomunicações, como se pode bem imaginar.  O conceito de rede de livre acesso já é utilizado em muitas cidades pelo mundo, mas está avançando para escalas nacionais. O raciocínio é simples. Não pagamos para andar nas ruas, ainda que elas custem mais caro do que as infovias, onde se navega em ondas eletromagnéticas. A circulação livre da informação aumenta a produtividade de todos. O fato de podermos transitar livremente pelas ruas é que assegura que sejam economicamente viáveis a farmácia, o posto de gasolina e assim por diante. São as aplicações do conhecimento que devem render, não os pedágios sobre a sua movimentação. Bom isso, né?

Sobre ameliagonzalez848

Jornalista especializada em sustentabilidade. Ajudou a criar e editou durante nove anos o caderno Razão Social, suplemento do jornal O Globo, sobre sustentabilidade, que foi extinto em julho de 2012. Assinou a coluna Razão Social do caderno Amanhá, de O Globo. Autora do livro `Porque sim`, sobre casos de sucesso da ONG Junior Achievement. Ganhou o premio Orilaxé, da ONG Afro Reggae. Esteve entre as finalistas como blogueira de sustentabilidade no premio Greenbest com o blog Razão Social, que foi parte do site do jornal O Globo de 2007 a 2012. Foi colunista do site G1 de 2013 a 2020, assinando o blog Nova Ética Social. Estuda os filósofos da diferença, como Fredrick Nietzsche, Gilles Deleuze, Spinoza, Henri Bergson em grupos de estudo no Instituto Anthropos de Psicomotricidade. Crê na multiplicidade, na imanência, na potência do corpo humano e busca, sempre, a saúde. Tem um filho e dois cachorros
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