Um país e um encontro movidos a dignidade

Embora pouco se comente por aqui, o Forum Social Mundial, com previsão de mais de 70 mil participantes, continua acontecendo em Tunis, capital da Tunísia. Uma equipe do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) está por lá, mandando notícias  que vão para o site (www.ibase.org.br). O último texto, de Maria Luiza Franco Busse, conta como são recebidos os visitantes no campus da universidade onde acontecem a maioria das atividades. É assim: “Bem vindos à Tunísia, país da revolução”.

A repórter conta que liberdade é a palavra-chave que encanta os tunisinos e que, mesmo em péssimas condições econômicas, a luta maior do país é por dignidade.  “ O forte sentimento de liberdade demonstra ter ainda muito fôlego para pagar o preço da retração de investimentos que se mudaram para Marrocos e Argélia, da gasolina que teve aumento de mais de 50% e do desemprego que saltou de 18 para 30%.”, diz o texto.

Lá, todo mundo privilegia a liberdade porque ainda se lembram, de memória muito recente, como é viver sem.  E é nesse cenário de palavras tão bonitas que acontece o FSM. Vejam abaixo as últimas notícias de lá:

“O Brasil, pais de origem do Fórum, está presente com pelos menos 35 organizações, entre elas, Primatas da Montanha, ONG ligada à Escola de Medicina da Universidade Federal de Ouro Preto, Fábrica de Imagens, Ações Educativas (Ceará), Confederação Nacional das Associações de Moradores, Rede Brasileira de Pesquisa em Nanotecnologia, Casa Macunaíma de Fóruns e Ações dos movimentos sociais, Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Sul, Instituto Paulo Freire, Departamento de Regularização do Solo da Secretaria Municipal de Habitação de São Paulo, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Aripuanã(AM), Sindicato Nacional dos Aeroviários, Central Sindical e Popular onlutas, Teatro do Oprimido, Advogados Sem Fronteiras, Fundação Perseu Abramo e Fundação Mauricio Grabois.

O destino do FSM também é tema de atividade. Desde o racha em 2003, quando alguns fundadores saíram por quererem mais ação politica, a cada ano o Fórum vem se firmando como evento missionário de troca de experiências e debates sobre alternativas ao modelo capitalista – que tem a guerra e o dinheiro como princípio. Mas há vozes dissonantes. Entretanto, pelo que se pode perceber em Tunis, a revolução deu fôlego à proposta que vem prevalescendo. Todos tem algo a dizer, querem se ouvir e estão dispostos a garantir e preserver esse espaço de encontro, apesar de todas as críticas.”

 

Sobre ameliagonzalez848

Jornalista especializada em sustentabilidade. Ajudou a criar e editou durante nove anos o caderno Razão Social, suplemento do jornal O Globo, sobre sustentabilidade, que foi extinto em julho de 2012. Assinou a coluna Razão Social do caderno Amanhá, de O Globo. Autora do livro `Porque sim`, sobre casos de sucesso da ONG Junior Achievement. Ganhou o premio Orilaxé, da ONG Afro Reggae. Esteve entre as finalistas como blogueira de sustentabilidade no premio Greenbest com o blog Razão Social, que foi parte do site do jornal O Globo de 2007 a 2012. Foi colunista do site G1 de 2013 a 2020, assinando o blog Nova Ética Social. Estuda os filósofos da diferença, como Fredrick Nietzsche, Gilles Deleuze, Spinoza, Henri Bergson em grupos de estudo no Instituto Anthropos de Psicomotricidade. Crê na multiplicidade, na imanência, na potência do corpo humano e busca, sempre, a saúde. Tem um filho e dois cachorros
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