Cuidem de sua saúde! É este o último recado da OMS para o mundo

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O contato com a natureza é fundamental para garantir a saúde do corpo

Há duas leituras possíveis sobre o recado que a OMS mandou ontem. O etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da instituição – que é subordinada à ONU e foi criada três anos depois, em 1948 – disse em alto e bom som que a pandemia vai alterar a forma como vivemos. E que é responsabilidade de cada um ajudar a barrar a transmissão do vírus.

A primeira leitura é política. Fica bem claro que as promessas de um modelo único para cuidar da saúde de todos pode dar certo. Mas depende muito da vontade política de cada país, de cada governo. As falsas promessas, portanto, estão escancaradas.

Não significa muito investir monetariamente em saúde se aqueles que estão gerindo tais valores não têm boas intenções. Ou, não vêm saúde do mesmo jeito que você vê. Aqui no Brasil, a julgar pela atitude do presidente, que mesmo infectado deu a mão a um trabalhador na rua, o governo tem uma visão, no mínimo, esdrúxula sobre o que seja saúde. Temos sido, portanto, alvo direto e certeiro da mensagem da OMS: cada um cuide de si. Este será o ato mais solidário, porque pode pôr uma barreira na proliferação da doença.

A segunda leitura da mensagem da OMS envolve, pois, o autocuidado, tema recorrente quando se debate saúde sob o ponto de vista amplo. Claro que vai ajudar a não espalhar o vírus, mas sobretudo vai ajudar a que outras doenças não se instalem. E, se for possível ser ouvido sem barreiras, é um recado que vai, de verdade, provocar uma grande mudança no mundo.

Dia desses entreouvi uma conversa entre duas mulheres aqui na vizinhança. Uma delas estava feliz porque o teste feito na mãe, que mora no Norte, tinha dado negativo para o vírus Corona. Mas a senhora está enferma, com febre, taxas altíssimas de glicose, é obesa… A outra perguntou se ela estava cuidando dessas questões e a filha deu pouca importância. Sim, eram sintomas recorrentes, aos quais ela já se habituara (obesidade, diabetes). Tudo sob controle, desde que com a dosagem habitual dos remédios.  O grande problema era a febre.

A ideia é, justamente, perceber que não se precisa conviver com obesidade, diabetes, pressão alta, tomando remédios a vida toda. A pandemia pode ter vindo, justamente, para chacoalhar nossa noção de saúde.

E pode-se dizer que Ghebreyesus disse, praticamente: movam-se para buscar saúde, não fiquem à espera de alguém que venha ditar regras sobre seu corpo. Pelo menos, foi este o recado que chegou a mim.

A prevenção é o forte das pessoas que são educadas para sentir o que o corpo fala. Neste sentido entra a forte conexão entre saúde e o ambiente que nos cerca, meu foco de interesse, como sabem.

Há poluição demais no mundo – do ar, a urbana; na água e na terra.  Aqui no Brasil estamos consumindo produtos com uma carga exagerada de agrotóxicos – em maio, já durante a pandemia, o governo Bolsonaro liberou 118 tipos. Num cenário desses, fica difícil ser saudável. Mas não é impossível buscar saúde. Como também não é nada inviável abrir espaço para outras culturas em nossas vidas.

O conceito do Bem Viver dialoga bastante com esta proposta. Na verdade, é mais do que um conceito, é uma vivência. Foi formatado por Alberto Acosta, político, economista, ex-ministro, ex-presidente da Assembleia Constituinte do Equador. Alguns textos que podem levar a um entendimento do Bem Viver estão compilados no livro “O Bem Viver” (Ed. Elefante), do qual recomendo muito a leitura.

A base da saúde, segundo esta vivência, é mesmo o contato com a natureza. Já há cinco anos, quando decidiu escrever o livro, Acosta lembrava que “o mundo precisa de mudanças profundas, radicais, para superar as visões simplistas que transformaram o economicismo em eixo da sociedade”. Mas não é só isto. A cultura indígena está incrustrada em cada uma das propostas dos “bons conviveres”, como prefere Acosta.

Resumindo: uma nutrição que não use produtos processados (de preferência, nenhum, mas, se for preciso, poucos); um sono que não seja interrompido por luzes e sons; tempo para meditar; tempo para caminhar; menos remédios e químicas que  E maior conexão com a natureza, consigo mesmo.

Dito assim, de forma corrida, pode parecer que tudo é muito fácil. Ou que tudo é muito difícil. Talvez não seja uma coisa, nem outra. Mas é possível. E, se prestarmos bem atenção, as sugestões independem de ter ou não dinheiro. Mas requerem educação desde a base, para que as crianças comecem cedo a sentir que têm potência de produzir saúde e de ajudar o sistema imunológico, que é a rede de segurança mais competente.

Assim sendo, vemos que Saúde, Educação e Meio Ambiente deveriam andar de mãos dadas e ter muito peso num programa de governo. É de vida que estamos falando, no fim das contas.

 

 

 

Sobre ameliagonzalez848

Jornalista especializada em sustentabilidade. Ajudou a criar e editou durante nove anos o caderno Razão Social, suplemento do jornal O Globo, sobre sustentabilidade, que foi extinto em julho de 2012. Assinou a coluna Razão Social do caderno Amanhá, de O Globo. Autora do livro `Porque sim`, sobre casos de sucesso da ONG Junior Achievement. Ganhou o premio Orilaxé, da ONG Afro Reggae. Esteve entre as finalistas como blogueira de sustentabilidade no premio Greenbest com o blog Razão Social, que foi parte do site do jornal O Globo de 2007 a 2012. Foi colunista do site G1 de 2013 a 2020, assinando o blog Nova Ética Social. Estuda os filósofos da diferença, como Fredrick Nietzsche, Gilles Deleuze, Spinoza, Henri Bergson em grupos de estudo no Instituto Anthropos de Psicomotricidade. Crê na multiplicidade, na imanência, na potência do corpo humano e busca, sempre, a saúde. Tem um filho e dois cachorros
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