Como organizo meu dia entre lives, livros, cuidados com casa e redes sociais

livro para blogAndo dividindo meu tempo, neste já saturado isolamento que se arrasta em nossos dias, da seguinte maneira: pré-escolho e me inscrevo para assistir a uma live pela manhã, outra à tarde/noite. Entre uma e outra, eu leio, pesquiso nas redes e escrevo aqui para o blog e para o livro que estou produzindo.

Fora isto eu cuido da casa, dos cachorros, cozinho e me cuido. De hora em hora, no computador, eu paro, respiro, ponho um chá de camomila no olho que está ressecado. E quando percebo que estou saturada de informações, calço o tênis, boto a máscara, um vidrinho de álcool no bolso e vou lá embaixo. Vejo a rua, carros, o balé urbano que me ronda. Inspiro e expiro vendo a pedra que abraça as ruas da comunidade onde moro. E isto me acalma.

Vocês devem estar me achando um exemplo de organização. Até ficaria feliz com isto, mas… preciso confessar que nem sempre eu consigo cumprir o planejado comigo mesma. Sendo mais honesta: passo mais tempo do que eu gostaria nas redes sociais, por exemplo. E às vezes fico bem irritada, quando me vejo assistindo a um vídeo que não vai me ajudar em nada.

É esta nossa realidade: no fim de 2011, o número de sites e blogs no mundo tinha chegado a 550 milhões, mais do que o dobro da base, e as assinaturas de banda larga eram quase 600 milhões. São dados do livro “Tempo Orgânico”, de Álvaro Esteves, lançado pela Sinergia em 2012. Recomendo a leitura.

E o meu espaço virtual está colaborando para engrossar a estatística que põe o Brasil em quarto lugar do mundo em número de blogueiros. Cada um querendo a sua atenção, caro leitor. Eu também.

Sendo assim, vou me esmerar para trazer a vocês informações interessantes.

Ontem à noite e hoje pela manhã me dediquei a assistir e ouvir notícias frescas sobre o meio ambiente. Lembro sempre a vocês que, para mim, este é um tema que permeia. Não tem como falar de política, economia, de conjuntura urbana, social, nem mesmo de dinâmica psicossocial sem levar em conta onde estamos. Sem considerar a água que bebemos, o ar que respiramos, os caminhos que trilhamos.

Neste sentido, fico bem preocupada quando a gente entrega aos homens e mulheres que se postam oficialmente como interlocutores de nossa organização social e quase não pisam em chão. Digo chão mesmo, sabe, a calçada. A sensação que eu tenho é que muitos executivos saem de jatinhos direto para um carro, direto para o elevador, direto para sua suíte e lá ficam pouco tempo antes da próxima reunião, antes de pegar outro jatinho, outro carro, outro elevador…

Mas isto é só uma reflexão que compartilho com vocês.

Ontem à noite assisti a live da Agência Envolverde. O jornalista Dal Marcondes, parceiro de cobertura ambiental há mais de uma década, a jornalista Lucia Chayb, que edita a competente revista “Eco-21” e o também coleguinha Reinaldo Canto entrevistaram Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente e atual co-presidente de um painel de Alto Nível da ONU. Dizer para vocês que fiquei com uma certa sensação de nostalgia ao perceber a competência da ex-ministra e comparar com nossa situação atual pode provocar polarização política, coisa da qual ando fugindo. Mas… já disse, né?

Izabella se coloca o tempo todo como uma profissional de carreira, e isto explica muita coisa. Ela respira leis, artigos, situações sobre meio ambiente desde que começou a trabalhar. Teve uma participação preponderante na COP-15, em 2009, que ajudou muito para se fechar o Acordo de Paris em 2015, este já tão desprezado pelos líderes que se seguiram ao presidente Obama e à presidente Dilma.

A live, que ainda está na web para quem quiser assistir (só acessar o site da Envolverde), tem a marca dos bons jornalistas: deixar o entrevistado falar. Assim, Izabella discorreu sobre grande parte da história ambiental do país. E me fez lembrar muitas coisas, entre elas que a agenda ambiental brasileira começou, na verdade, com a disputa por quem conseguiria tirar Cubatão da saga de tanta poluição industrial. Isto aconteceu nos anos 80.

De lá para cá tudo está do jeito que se vê… mas alguma coisa mudou para melhor.

Hoje pela manhã, outra live. Fui ao Museu do Amanhã, infelizmente só virtualmente, porque é um local que adoro visitar. O convite foi para ouvir a entrevista que o jornalista Emanuel Alencar fez com Andre Trigueiro (dois queridos colegas) sobre a questão do novo marco regulatório do saneamento básico que acaba de ser sancionado pelo presidente Bolsonaro.

Concordo com Trigueiro quando ele diz que a questão nem é mais se queremos ou não que privatize um serviço que está precisando ser… um serviço. A questão é que não pode continuar como está. Só para resumir, nossos rios recebem cinco a seis mil piscinas olímpicas de esgoto. E esta é a água que recebemos. Nós, que temos direito à água com (algum) tratamento.

Concordo também com alguns espectadores da live, que lembraram o possível sucateamento. Do jeito que está, a Cedae, por exemplo, pode ser arrematada por poucos tostões. E lá se vai um jeito de o Estado poder arrecadar mais. Nas mãos de empresa privada, o serviço pode melhorar… ou não.

Foi outra ótima live, também cheia de informações importantes. Recomendo. E deixo com os leitores uma observação minha, da qual Trigueiro discordou amorosamente, e que acredito ser pano para mangas de reflexões. A consciência ambiental, para mim, só está sendo ampliada na classe abastada, na elite. Falo do Brasil, que é a realidade que mais conheço. Não sei como se pode situar isto no mundo.

Na verdade, eu havia dito que a “elite brasileira” tem mais chance de ter consciência ambiental, mas quero consertar minha fala: uma elite das grandes metrópoles brasileiras, digo. Os trabalhadores de estados onde os recursos naturais fazem parte da sobrevivência (Pará, Amazonas, Tocantins, Acre), sim, já têm hábitos e preocupações concernentes.

Mas aqui no Rio, por exemplo, infelizmente não consigo imaginar um jovem carente, que precisa ir e voltar para o trabalho diariamente num ônibus lotado, sonhando em ter uma bicicleta em vez de um carro. Abro espaço para o diálogo e aceito contribuições para ampliar pensamento.

 

Sobre ameliagonzalez848

Jornalista especializada em sustentabilidade. Ajudou a criar e editou durante nove anos o caderno Razão Social, suplemento do jornal O Globo, sobre sustentabilidade, que foi extinto em julho de 2012. Assinou a coluna Razão Social do caderno Amanhá, de O Globo. Autora do livro `Porque sim`, sobre casos de sucesso da ONG Junior Achievement. Ganhou o premio Orilaxé, da ONG Afro Reggae. Esteve entre as finalistas como blogueira de sustentabilidade no premio Greenbest com o blog Razão Social, que foi parte do site do jornal O Globo de 2007 a 2012. Foi colunista do site G1 de 2013 a 2020, assinando o blog Nova Ética Social. Estuda os filósofos da diferença, como Fredrick Nietzsche, Gilles Deleuze, Spinoza, Henri Bergson em grupos de estudo no Instituto Anthropos de Psicomotricidade. Crê na multiplicidade, na imanência, na potência do corpo humano e busca, sempre, a saúde. Tem um filho e dois cachorros
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2 respostas para Como organizo meu dia entre lives, livros, cuidados com casa e redes sociais

  1. andrebalocco disse:

    Amiga, deve ter sido muito boa a live sobre a água. Mas pergunto. Quando ela for privatizada, quem irá investir no serviço para as favelas, que mal recebem água, mas não pagam pelo servico?
    O Estado, ou seja: assim como na Supervia e na Barcas e Metrô, haverá gastos que, acredito, suplantarão o valor da venda. Bj

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